A Fé Bahá'i

Budismo

Hare Krishna

Judaísmo

Santo Daime

Sufismo

Desde os primórdios da humanidade, o homem busca de alguma forma traduzir através de ritos, a sua percepção da existência à priori de algo maior do que ele mesmo e que o transcende. A princípio, esse contato não era necessário ser buscado nos céus, pois ele era como uma continuação da divindade em si, ou uma de suas manifestações. Era tempo de unidade, e o homem não se sentia como uma personalidade autônoma e independente da fonte da qual proveio.
Com o passar do tempo, ao entender-se como uma personalidade individual, surge a noção do eu e do outro, uma pseudo autonomia que o leva a efetuar mais e mais projeções e a cada vez mais separar-se de sua fonte original.
E para que possa acercar-se dessa fonte, ele busca nas diversas religiões, uma maneira de sair do tempo profano, cronológico, no qual ora vive, para por instantes, voltar às origens, ao tempo forte, transfigurado pela presença ativa e criadora dos entes sobrenaturais.
Com seus ritos, o homem reintegra-se àquele tempo fabuloso que sente perdido, e encontra nas diversas religiões o suporte necessário para buscar se conectar a Deus. Lamentavelmente, nem sempre como algo que por si só também transcende às máscaras adotadas por essa ou aquela linha religiosa.
¨Deus pode estar simultaneamente em dois ou mais lugares – como uma melodia e sob a forma de uma máscara tradicional. E onde quer que ele surja, o impacto de sua presença é o mesmo: ele não é reduzido pela multiplicação.”1 ( grifo nosso)
Para se entender o fator religio como a sociedade, nos moldes em que a vivemos, busca impor a cada um de nós, teríamos que entende-la também baixo os conceitos e princípios norteadores da época em que surgiu, e sua manutenção, como uma perpetuação desses mesmos princípios pelas sociedades que as sustentam.
Nós do Meio do Céu, entendemos o fator religiosidade como algo inerente a todo ser humano, como uma busca de centralização, um arquétipo de organização espiritual que procura nos retirar do caos lançado pela separação entre consciente e inconsciente, para nos conectar com a transcendência de nossa humanidade, com algo maior, estando nosso espírito dessa forma, servindo-se de cada uma delas apenas na medida em que sua função seria a de buscar sua evolução, necessitando-se para isso tanto de nosso corpo material como de nosso fator religioso interno.
Entendemos portanto, que a tomada de consciência passaria por vivenciarmos também internamente cada um dos estágios vivenciados por nossos antepassados, aqueles que nos antecederam.
“No curso de seu desenvolvimento ontogenético, a consciência individual do ego tem que passar pelos mesmos estágios arquetípicos que determinaram a evolução da consciência na vida da humanidade. Na sua própria vida, o indivíduo tem que seguir a estrada percorrida antes dele pela própria humanidade, estrada na qual essa deixou marcas impressas da sua jornada”2
Jung sustenta que o telos maturacional da psique humana existe no sentido de um estado de consciência no qual o indivíduo tende a aproximar-se progressivamente de uma fonte interior, fonte essa ao mesmo tempo de toda a consciência e, assim, de qualquer significado presente no universo.
“Creio, pois, que, no geral, a energia psíquica ou libido cria a imagem de Deus, valendo-se dos modelos arquetípicos, e que o homem, por consequência, venera a força psíquica do seu interior como algo divino”3
Partindo desse pressuposto, o símbolo revela certos aspectos da realidade, os mais profundos, que desafiam outro meio de conhecimento, e as religiões, como manifestações espontâneas  ou projeções geradas por esses mesmos símbolos, o caminhar do homem em suas marchas e contra-marchas rumo à Deus, ou ao que seu estado interior, e isso dependendo do estágio em que se encontre, reconheceu num dado momento como o retrato da divindade.
Abrimos esse espaço, onde as diversas religiões se apresentam, no sentido de facilitar que nossas realidades interiores se manifestem à nós, e por conseguinte, não desejando de qualquer modo, privilegiar esse ou aquele caminho pois entendemos que cada um deles serve à mesma fonte interior que cultuamos, e que também cada um deles é representativo do estado interno de cada um de nós. E em resposta à isso, nossa atitude para com cada uma delas é de profundo respeito.
Resta-nos ainda desejar que cada vez mais, em sua própria vida, interior e exterior se configurem num continuum absoluto, e que sua vida cada vez mais seja norteada pelo sagrado, receba esse a denominação que for, ou se utilize da máscara que convier como facilitador da conexão, do diálogo, do religare com a fonte verdadeira.
Claudia Araujo
P/ Meio do Céu


1. Joseph Campbell, As Máscaras de Deus, Editora Palas Athena
2. Erich Neumann, História da origem da Consciência – Ed. Cultrix
3. C.G.Jung / Aniella jaffé, Memórias, Sonhos e Reflexões