Nós ocidentais temos sido privados da experiência do encontro com a divindade interior de tal forma fomos induzidos a buscá-la externamente, de forma projetada.  Reduzimos Deus à esfera do conhecimento, ou projetamos essa imagem, na verdade interior, quer em dinheiro, poder  sexo ou outra forma exteriorizada sendo  com isso  instados a deixar de vivenciar processos que outrora pulsavam síncronos e harmônicos com nossa totalidade. Criamos assim um conflito entre ciência e religiosidade e viciados em nosso pensar crítico e avaliativo, decompomos o todo em partes, nos isolando da experiência da Unidade.

                      O homem oriental não vivencia na mesma medida tal conflito. Cônscio de que interno e externo se correspondem e entre si convivem mesmo que a sua revelia, segue buscando em seu interior as respostas para os enigmas que a vida lhe propõe em sua caminhada. Ele é sabedor de que a chave que busca encontra-se em seu próprio interior e assim, empreende com maior intimidade sua viagem de auto-descoberta.

                       O desenvolvimento do ser humano no conceito ocidental tem sido explicado pelo abandono do pensamento mítico e religioso em prol do pensamento lógico, mensurável. Esse modelo de desenvolvimento assimilado pelo Ocidente cada vez mais nos afasta de nosso interior e da possibilidade de vivenciarmos a experiência mística e a aceitação da imanência de Deus habitando a alma humana. Buscando essas respostas no externo perdemos o contato com nossas fontes superiores quer a chamemos de Deus, SELF, Consciência Crística ou qualquer outra palavra  com a qual nos sintamos confortáveis ao nomear  nossa totalidade.

                          Entretanto, em muitos de nós  em fases distintas de nossas vidas, nos deparamos com esse sentimento inquietante de que algo ainda nos falta, algo que  lá no fundo de nós mesmos sentimos ser essencial e valioso e que seria capaz de dar um verdadeiro sentido às nossas vidas.

                        Essa espécie de angústia  tem sido a prima-matéria e ao mesmo tempo a mola propulsora que nos impulsiona em busca de nosso próprio mito pessoal e do encontro direto com a centelha divina da qual todo homem é portador. É ela quem promete a saída do tempo da dualidade e do conflito dos opostos, para a possibilidade do encontro com algo que transcende ao antagonismo anterior, nos unificando em nossa  totalidade e ativando a Imago Dei presente nos recônditos de nossa alma.  Através dela, possibilitamos a reposição da imagem divina no âmbito de nossa interioridade.

                          Essa crise, geralmente acompanhada de uma metanóia ou reorientação de Vida, a princípio tida como nefasta ou destrutiva por nosso pensar lógico e racional, nada mais é do que a oportunidade que  nos é oferecida de empreendermos nossa caminhada rumo à vida espiritual, ao nosso próprio interior, à fonte do qual somos todos provenientes, ao processo de auto-conhecimento.

                           Jesus: "Conhecei a Verdade e Ela vos libertará"

                           Delfos: "Te advirto, quem quer que sejas, Oh Tú! que desejas sondar os Mistérios da Natureza. Como esperas encontrar outras excelências se ignoras as excelências de tua própria casa? Em Ti está oculto o tesouro dos tesouros.  Oh Homem! Conhece a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses"

                           Nós do Meio do Céu desejamos a cada um de nossos leitores que seja capaz de levantar um a um  os véus dos Mistérios e  penetrar nos recônditos mais sombrios de sua alma, iluminando com a Luz da Verdadeira Sabedoria o altar onde está guardada a Pérola. Nessa jornada, nos faremos acompanhar  de Raul Branco e Ali Onaissi, aguardando outros mais que certamente estão por chegar. 

         &nb Claudia Araujo

p/ Meio do Céu